
O Tribunal de Justiça de Goiás condenou o Estado de Goiás a indenizar em R$ 97.161,82 o ex-goleiro do Grêmio Anápolis Ramon Souza dos Reis. Ele foi atingido por uma bala de borracha disparada por um policial militar no dia 10 de julho de 2024, logo após uma partida pela Segunda Divisão do Campeonato Goiano, realizada no Estádio Jonas Duarte, em Anápolis.
A juíza da 7ª Vara de Fazenda Pública Estadual de Goiânia, Mariuccia Benicio Soares Miguel, condenou o Estado a pagar indenizações por danos morais, estéticos e materiais. A magistrada considerou que Ramon foi vítima de "violência extrema e injustificada" e ressaltou "a dor, a humilhação pública e a repercussão midiática do ato cometido por um agente estatal".
A decisão cobre o período de quatro meses em que o atleta ficou afastado das atividades profissionais devido à lesão muscular e de tecidos, abrangendo salários, 13º proporcional, férias e FGTS. O inquérito policial militar e a denúncia do Ministério Público de Goiás apontaram a "ausência de justa causa e a desproporcionalidade da atuação do policial", afirmando que não havia tumulto ou agressão que justificasse o disparo a curta distância.
O disparo deixou uma cicatriz permanente de 4 centímetros na coxa esquerda de Ramon. Embora o perito tenha classificado como dano estético leve, a juíza reformulou para grau médio, considerando que para um goleiro profissional, cuja uniforme (calção) expõe continuamente essa região, a cicatriz possui impacto muito superior ao de uma pessoa comum, afetando a imagem corporal como ativo profissional do atleta.
Durante o incidente, após o apito final da partida entre Grêmio Anápolis e Centro-Oeste, ocorreu um desentendimento verbal e empurra-empurra entre jogadores e comissões técnicas. Ramon tentou intervir pedindo para que o policial abaixasse a arma apontada para um colega. O PM ordenou que recuasse e disparou à queima-roupa quando o goleiro deu um passo para trás.
Fonte: Metropoles




