
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecido como IRGC, fez uma ameaça séria nesta quinta-feira (20): se a guerra voltar, o país vai usar armas completamente diferentes das que usou antes, em todos os aspectos. A declaração veio logo depois que o presidente americano Donald Trump anunciou a suspensão das negociações dos Estados Unidos com Teerã.
Um porta-voz do IRGC afirmou, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, que o poder destrutivo das ogivas usadas nos mísseis do IRGC é muito maior do que o das guerras anteriores. O recado é direto: se o conflito recomeçar, o Irã promete bater mais forte.
Do lado americano, Trump disse na quarta-feira (19) que a situação com o Irã está "muito boa" depois de suspender as conversas, mas sinalizou que o diálogo pode ser retomado "em algum momento". Também anunciou, em publicação na rede social Truth Social, que vai aplicar a medida econômica "mais devastadora" já usada por Washington contra qualquer país, justificando que o Irã "falhou" em aproveitar as chances de fechar um acordo com os EUA.
Trump ainda avisou que qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ajudem o Irã vai enfrentar "consequências econômicas tremendas". Ele chamou isso de um "Dia D econômico" e convocou aliados a se unir para isolar a "ameaça iraniana". Mesmo assim, não especificou quais medidas concretas seriam tomadas e não citou nenhum país pelo nome.
A guerra já matou milhares de pessoas, envolveu nações do Golfo e abalou os mercados globais. O Irã chegou a restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro. Dois acordos de cessar-fogo foram assinados, um em abril e outro em junho, mas os dois quebraram rapidamente, mesmo com a retirada parcial de Israel dos combates.
O Irã vive sob sanções econômicas severas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979. Trump ainda não conseguiu atingir os objetivos que definiu no início do conflito: acabar com o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade do Irã de atacar rivais na região e criar condições para que os iranianos derrubem seus líderes religiosos.
Fonte: CNN




