
O governo federal está avaliando recorrer ao reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu para garantir o abastecimento de energia elétrica no Brasil diante da possível intensificação do El Niño nos próximos meses. O tema foi debatido na quarta-feira, dia 2 de setembro de 2026, pelo CMSE, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que reúne os principais órgãos públicos do setor para acompanhar a segurança e a continuidade do fornecimento de energia no país.
Segundo o ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o uso de Itaipu faz parte de uma estratégia para manter estável a capacidade de geração conectada à rede nacional. O plano também inclui o acionamento de usinas termelétricas e a operação das hidrelétricas do rio São Francisco em momentos de maior demanda.
O governo pretende usar a chamada Reserva de Potência Operativa em setembro, novembro e dezembro de 2026. Essa reserva funciona como uma energia guardada para garantir que o sistema não falhe em tempo real. No Brasil, ela é fornecida principalmente pelas hidrelétricas. O que acontece a partir de janeiro de 2027 ainda não está definido. O CMSE informou que as previsões para janeiro e fevereiro de 2027 dependem das condições de chuva nas principais bacias do país e do início do período úmido.
O El Niño altera o regime de chuvas especialmente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, podendo baixar os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. No Sul, onde fica Itaipu, o efeito é o contrário: mais chuva. O comitê também discutiu medidas para os Sistemas Isolados da Região Norte, que abrangem os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará. A Aneel fiscalizou 30 termelétricas na região para checar disponibilidade de usinas e combustíveis. A agência também aprovou antecipação de recursos para pequenas geradoras que podem ter dificuldade para transportar combustível por causa da seca provocada pelo El Niño. No Sul e no Sudeste, onde há previsão de mais chuvas, a Aneel está em contato com distribuidoras para prevenir problemas causados por eventos climáticos extremos.
Fonte: Poder360




