
A campanha de Flávio Bolsonaro chegou à fase oficial dividida entre duas estratégias. De um lado, o candidato tenta manter uma imagem mais moderada, voltada a indecisos e eleitores de centro, o chamado "Amigo Flávio". Do outro, aumentou o tom, retomou pautas tradicionais do bolsonarismo e voltou a colocar o pai, Jair Bolsonaro, no centro do discurso, sendo apresentado em eventos como o "Filho da Esperança".
Segundo a reportagem da Jovem Pan, que conversou com integrantes da campanha e aliados ao longo dos últimos meses, a ideia desde o início do ano era aproveitar a força eleitoral do sobrenome Bolsonaro sem herdar integralmente a rejeição ao ex-presidente. Nos bastidores, o projeto ganhou o apelido de "bolsonarismo light".
No primeiro ato eleitoral, Flávio defendeu castração química para estupradores, redução da maioridade penal, prometeu indicar ministros ao STF contrários ao aborto e às drogas e classificar o Comando Vermelho como organização terrorista. Nesta semana, voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que o pai foi "julgado pelos seus próprios inimigos".
Na convenção do PL, um vídeo produzido com inteligência artificial simulou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro apoiando o filho. O episódio chegou ao STF e abriu discussão sobre o consentimento do ex-presidente e o uso de deepfake na campanha.
Sem conseguir alianças com PP, Podemos e Republicanos, que optaram por neutralidade, o PL fechou chapa pura com o deputado Alfredo Gaspar, ex-promotor e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, como vice. O vazamento de conversas de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil, também pesou na reorientação do discurso da campanha.
Fonte: Jovem Pan




