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Notícias/SAÚDE27/08/2026· KF News

Estudo da USP testa reposição hormonal direcionada na menopausa com melhora no metabolismo sem estimular mama ou útero

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) testaram uma abordagem diferente para a reposição hormonal na menopausa. Em vez de repor o estrogênio de forma geral, como acontece na terapia convencional, a equipe ativou apenas um tipo específico de receptor desse hormônio, chamado ERβ. Esse receptor está ligado ao metabolismo e não estimula tecidos reprodutivos, como mama e útero, o que pode ser importante para mulheres com predisposição a tumores sensíveis a hormônios.

Os resultados foram publicados em 19 de julho na revista Comprehensive Physiology. O estudo foi realizado com ratas que tiveram os ovários removidos para simular a menopausa. Nesse modelo, os pesquisadores usaram uma droga experimental para ativar seletivamente o receptor ERβ e observaram melhora em vários pontos.

A glicemia de jejum foi restaurada, o perfil lipídico foi normalizado e o tamanho das células de gordura reduziu — tudo sem efeito sobre o útero. O fígado também respondeu bem: houve menos acúmulo de gordura e as células passaram a usar melhor os ácidos graxos como fonte de energia, favorecendo um perfil mais equilibrado de colesterol e outros lipídios no sangue.

A pesquisadora Débora Santos Rocha, primeira autora do estudo, explicou à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que a estratégia é "mais pontual" e consegue reequilibrar os efeitos metabólicos da queda do estrogênio sem afetar áreas sensíveis do organismo. A professora Alicia Kowaltowski coordenou a pesquisa.

Apesar dos resultados positivos, a abordagem ainda está em fase experimental e não foi testada em humanos. O tratamento também não impediu o ganho de peso associado à menopausa, embora tenha melhorado o funcionamento metabólico. As pesquisadoras deixam claro que a proposta não substitui a terapia hormonal atual, mas pode ampliar as opções de tratamento no futuro, com abordagens mais direcionadas.

Fonte: Metropoles - Saúde