
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) testaram uma abordagem diferente para a reposição hormonal na menopausa. Em vez de repor o estrogênio de forma geral, como acontece na terapia convencional, a equipe ativou apenas um tipo específico de receptor desse hormônio, chamado ERβ. Esse receptor está ligado ao metabolismo e não estimula tecidos reprodutivos, como mama e útero, o que pode ser importante para mulheres com predisposição a tumores sensíveis a hormônios.
Os resultados foram publicados em 19 de julho na revista Comprehensive Physiology. O estudo foi realizado com ratas que tiveram os ovários removidos para simular a menopausa. Nesse modelo, os pesquisadores usaram uma droga experimental para ativar seletivamente o receptor ERβ e observaram melhora em vários pontos.
A glicemia de jejum foi restaurada, o perfil lipídico foi normalizado e o tamanho das células de gordura reduziu — tudo sem efeito sobre o útero. O fígado também respondeu bem: houve menos acúmulo de gordura e as células passaram a usar melhor os ácidos graxos como fonte de energia, favorecendo um perfil mais equilibrado de colesterol e outros lipídios no sangue.
A pesquisadora Débora Santos Rocha, primeira autora do estudo, explicou à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que a estratégia é "mais pontual" e consegue reequilibrar os efeitos metabólicos da queda do estrogênio sem afetar áreas sensíveis do organismo. A professora Alicia Kowaltowski coordenou a pesquisa.
Apesar dos resultados positivos, a abordagem ainda está em fase experimental e não foi testada em humanos. O tratamento também não impediu o ganho de peso associado à menopausa, embora tenha melhorado o funcionamento metabólico. As pesquisadoras deixam claro que a proposta não substitui a terapia hormonal atual, mas pode ampliar as opções de tratamento no futuro, com abordagens mais direcionadas.
Fonte: Metropoles - Saúde




