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Notícias/SAÚDE30/08/2026· KF News

Estudo brasileiro mostra como a genética influencia a depressão em crianças e jovens

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul revelou que crianças e jovens com maior predisposição genética à depressão apresentam sintomas mais intensos desde o início e que pioram mais rápido ao longo da adolescência. Além disso, entre quem tem Transtorno Depressivo Maior, uma predisposição genética mais alta também está ligada a uma maior frequência de autolesão não suicida.

A pesquisa analisou o "risco poligênico" — uma combinação de várias pequenas alterações no DNA que, somadas, aumentam o risco de desenvolver depressão — em mais de 2.000 crianças e jovens de escolas públicas, com idades entre 6 e 23 anos, acompanhados em São Paulo e Porto Alegre ao longo de mais de 15 anos.

Um ponto importante do estudo foi testar se as ferramentas usadas para medir esse risco genético funcionam em populações miscigenadas como a brasileira, que ainda são pouco representadas nas pesquisas de genética psiquiátrica, segundo o pesquisador Marcelo Brañas, da Faculdade de Medicina da USP e co-primeiro autor do artigo, ao lado de Lucas Ito, da Unifesp.

Segundo Brañas, estima-se que cerca de 37% da depressão, em termos populacionais, tem relação com a genética. Mas o que já conseguimos medir diretamente no DNA explica bem menos: entre 2% e 6% dessa variação, com teto em torno de 8%. O escore calculado no estudo explicou entre 2,6% e 3,6% das diferenças no risco de Transtorno Depressivo Maior entre os participantes. Os resultados foram publicados no periódico Biological Psychiatry.

Os pesquisadores deixam claro que ainda estamos muito longe de usar esses escores como forma de diagnosticar ou prever transtornos mentais no consultório. Brañas alerta que as implicações éticas desse uso futuro ainda precisam ser muito bem discutidas e estudadas.

Fonte: Poder360