
O fenômeno El Niño aquece as águas do oceano Pacífico e altera o regime de chuvas no Brasil. Segundo Andrei Polejack, diretor de pesquisa e inovação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o oceano aquecido aumenta a evaporação, favorece a formação de nuvens e muda a direção dos ventos, que passam a levar mais chuva para partes da América do Sul. No Brasil, os efeitos mais comuns são o aumento das chuvas no Sul e na região amazônica, enquanto outras áreas enfrentam seca.
Quando o volume de chuva é muito grande em pouco tempo, o solo e os sistemas de drenagem urbana não conseguem absorver tudo. A água se acumula e causa enchentes, especialmente em regiões com infraestrutura insuficiente. E o problema vai além dos danos materiais: a saúde da população fica diretamente ameaçada.
O infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília, explica que as enchentes misturam água limpa, esgoto e lixo, espalhando microrganismos. A água contaminada pode entrar em contato com pele, olhos e mucosas, além de contaminar alimentos e fontes de água potável. O ambiente também aumenta a exposição a fezes e urina de animais, e os ferimentos causados por destroços submersos funcionam como porta de entrada para infecções.
As doenças mais comuns após enchentes são leptospirose, gastroenterites, hepatite A e infecções de pele. A leptospirose é transmitida pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de roedores. Os primeiros sintomas são febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas e dores musculares, especialmente nas panturrilhas. Casos graves podem evoluir com falta de ar, redução da urina e pele e olhos amarelados, exigindo atendimento imediato.
O médico infectologista André Bon, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), alerta que ferimentos com detritos submersos podem evoluir para infecções graves e aumentar o risco de tétano. Após o recuo da água, recipientes e áreas com água parada podem se tornar criadouros do mosquito Aedes aegypti, elevando o risco de dengue, chikungunya e zika nas semanas seguintes.
As recomendações dos especialistas são: evitar o contato com a água de alagamentos, usar botas como proteção, descartar alimentos que tiveram contato com a água, cuidar de ferimentos e atualizar a vacinação, especialmente contra o tétano.
Fonte: Metropoles




