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Notícias/AGRONEGÓCIO03/09/2026· KF News

El Niño confirmado até 2027 aumenta riscos no agronegócio e exige revisão de contratos e seguros

O El Niño foi confirmado para 2026 e pode se estender até o início de 2027. O fenômeno preocupa produtores rurais, cooperativas e empresas do agronegócio brasileiro porque muda o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país. Os efeitos podem incluir quebra de safra, atrasos nas entregas, problemas de armazenagem e dificuldade para cumprir contratos e pagar dívidas.

Órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que as consequências variam por região. Para o trimestre entre agosto e outubro, a previsão geral é de chuvas acima da média no Sul e precipitações abaixo da média no centro-norte do Brasil. Temperaturas acima da média são esperadas em grande parte do território nacional.

A advogada Ana Franco Toledo, sócia do escritório Dosso Toledo Advogados, alerta que chuva excessiva, seca, geada ou onda de calor não garantem, por si só, a liberação automática das obrigações contratuais. Cada caso exige análise individual, levando em conta a redação do contrato, a previsibilidade do evento e as medidas preventivas adotadas. Ela recomenda que os contratos especifiquem claramente os eventos cobertos, os procedimentos de comunicação e as alternativas disponíveis em situações extraordinárias.

O advogado Ricardo Dosso, também sócio do Dosso Toledo Advogados, lembra que o impacto do El Niño pode atingir toda a cadeia produtiva: transportadoras, armazéns, cooperativas, indústrias processadoras, tradings, fornecedores de insumos, instituições financeiras e seguradoras. Contratos de longo prazo merecem atenção especial, com previsão de mecanismos de renegociação, revisão de preços, alteração de volumes e extensão de prazos.

Seguro rural e revisão de contratos são complementares — um não substitui o outro. O produtor precisa conhecer os riscos cobertos pela apólice e, ao mesmo tempo, verificar suas responsabilidades perante compradores e fornecedores. Guardar documentos como laudos agronômicos, registros meteorológicos, imagens das lavouras, notas fiscais e comunicações entre as partes pode ser decisivo em disputas judiciais ou renegociações.

Fonte: Portal Agroneg.