
O economista Marcos Troyjo afirmou nesta terça-feira (1º.set.2026) que o Brasil reúne a "combinação mais perigosa" entre as economias emergentes do G20: alta proporção de dívida em relação ao PIB, taxa de juros elevada e uma fatia extraordinariamente robusta do caixa público destinada a honrar esse passivo. A declaração foi feita durante o seminário Lide Cenários do Brasil, realizado na Faria Lima, em São Paulo.
Para explicar o momento, Troyjo usou a imagem de um cabo de guerra: de um lado, forças externas favoráveis ao Brasil; do outro, problemas internos que travam o país. Segundo ele, conflitos como o da Rússia com a Ucrânia, a tensão no Oriente Médio e a disputa entre Estados Unidos e China prejudicam a maioria dos países, mas abrem oportunidades pro Brasil em segurança alimentar, diversidade energética e minerais críticos.
Troyjo citou dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos que colocam o Brasil em 2º lugar entre os países com maiores reservas comprovadas de minerais críticos e terras raras, que classificou como fundamentais para a economia do século 21. Ele também afirmou que o Brasil esteve entre os 2 ou 3 maiores destinos de investimento estrangeiro direto nos últimos 4 anos, período que inclui os 2 últimos anos do governo Bolsonaro e os 2 primeiros do governo atual.
Na comparação com outros países emergentes, Troyjo disse que a Índia tem dívida alta, mas estabilizada; a China deve mais de 100% do PIB, mas com juros baixos; e a Indonésia conseguiu reverter a trajetória da dívida. O Brasil, segundo ele, reúne o pior cenário entre todos esses fatores combinados.
Sobre as eleições de 2026, o economista disse que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve produzir correção significativa na política econômica. Ele também afirmou não ver "de maneira mais entusiasmada" o início de reformas estruturais que considera essenciais para que o Brasil aproveite as oportunidades do cenário internacional.
Fonte: Poder360




