
A doença de Peyronie é uma condição adquirida — ou seja, desenvolvida ao longo da vida — que provoca o crescimento de tecido cicatricial sob a pele do pênis. Esse processo pode causar entortamento e encurtamento do órgão, dificultando ou até tornando impossível a relação sexual.
Segundo sociedades médicas internacionais, a principal causa são pequenos traumas repetidos durante o sexo. Diabetes, hipertensão e problemas no tecido conjuntivo também podem estar ligados ao surgimento da doença. O urologista Ricardo Ferro, coordenador do serviço de urologia do Hospital Brasília, explica que o organismo, nesses casos, produz de forma desordenada um excesso de tecido cicatricial, o que provoca a deformidade.
É importante saber que a doença de Peyronie é diferente da curvatura congênita do pênis, que a pessoa já nasce com ela e que não causa prejuízos. Na Peyronie, a mudança aparece em um homem que antes não tinha qualquer deformidade, conforme explica o urologista Berthran Severo Garcia, do Hospital Santa Lúcia Gama, em Brasília.
Além dos problemas físicos, a doença pode prejudicar a autoestima e causar ansiedade. Quando a curvatura ultrapassa 30 graus ou o encurtamento é acentuado, a penetração pode ser desconfortável, impossível ou causar incômodo à parceira. Sem tratamento adequado, há risco de depressão.
O tratamento depende da fase da doença. Na fase aguda, medicamentos, injeções e aparelhos de tração ajudam a reduzir a dor e preservar o comprimento. Se a doença estiver estabilizada ou causar grande deformidade, a cirurgia é indicada. Existem técnicas como plicatura, incisão com enxerto e o procedimento mesh incision. Uma técnica mais recente, chamada auxética, descrita em 2021, usa um molde com perfurações em formato de estrela de três pontas e tem apresentado resultados promissores — com relatos de ganhos de até 1,5 cm no comprimento do pênis e boa satisfação dos pacientes. O método é defendido pelo urologista Eduardo Bertero, especialista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), em São Paulo. Mesmo assim, a técnica ainda carece de estudos mais amplos para se consolidar como o principal tratamento da doença.
Fonte: Metropoles - Saúde




