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Notícias/POLÍTICA05/09/2026· KF News

Delegados da PF pedem que Paulo Gonet se declare impedido em investigação que envolve diálogos com Daniel Vorcaro

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, a ADPF, pediu formalmente que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido na investigação que envolve os diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro — porque o próprio Gonet é citado nessas conversas. A entidade publicou uma nota de "indignação" contra a abertura de um procedimento para apurar a conduta da Polícia Federal na produção do relatório que expôs esses diálogos, revelados pelo jornal Estadão. O material é parte do que foi apreendido na Operação Compliance Zero.

O presidente da ADPF, Edvandir Felix de Paiva, defendeu os policiais envolvidos na elaboração do relatório, dizendo que eles cumpriram uma ordem judicial do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF, e que não tinham margem para escolha. Ele também criticou o uso de um relatório de inteligência da PF no inquérito das Fake News, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

Gonet, por sua vez, enviou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, informando que pediu abertura de apuração, alegando suspeita de interferência indevida de André Mendonça na Polícia Federal. Horas depois de o relatório — que expôs a proximidade entre ele e o dono do Banco Master — vir a público, Gonet pediu o arquivamento do caso. O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento para investigar a própria conduta do procurador-geral.

A associação de delegados argumenta que, se a PGR considera irregular a decisão que originou o relatório, "a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal", e não questionar quem cumpriu a ordem. A nota cita o Código de Processo Penal, que estende as regras de impedimento dos juízes também aos órgãos do Ministério Público. A ADPF pediu ainda que o procedimento aberto por Gonet seja arquivado e que todos os fatos da Operação Compliance Zero sejam investigados "sem seletividade quanto às autoridades envolvidas".

Fonte: Jovem Pan