
O mercado internacional de café começou a safra 2026/27 com forte tensão em relação à disponibilidade do produto. As chuvas registradas em junho e julho nas principais regiões produtoras de café arábica de Minas Gerais e São Paulo atrapalharam os trabalhos nas lavouras e prolongaram o processo de secagem dos grãos nos terreiros. Com isso, o volume de café beneficiado disponível para negociação e embarque imediato ficou reduzido.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) alertam que esses problemas podem restringir a oferta de café brasileiro ao longo da temporada, especialmente nos lotes destinados a mercados que exigem padrões mais elevados de qualidade. A exposição dos frutos e grãos à umidade também levantou preocupação com a qualidade do produto.
Apesar das dificuldades, os embarques brasileiros começaram a safra em ritmo mais firme do que no início da temporada anterior. Mesmo assim, a evolução das exportações do Brasil e do Vietnã em 2026 não foi suficiente para recompor os estoques físicos nos principais centros consumidores.
Esse cenário levou as cotações a disparar na ICE Futures US, em Nova York. Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o movimento refletiu principalmente a preocupação com os estoques físicos reduzidos, que estão nos menores patamares em mais de dois anos e meio. Na Europa, informações do mercado também apontam para volumes físicos baixos. O contrato do arábica para setembro de 2026 fechou a 363,40 centavos de dólar por libra-peso, alta de 5,3%. O de dezembro fechou a 332,45 centavos, com alta de 4,6%. Fundos e especuladores intensificaram o movimento ao acionarem novas ordens de compra quando os contratos ultrapassaram níveis técnicos importantes.
Problemas logísticos internacionais também pesaram: a possibilidade de greve nos portos da Alemanha, as dificuldades ainda presentes após um terremoto na Colômbia e as tensões no Oriente Médio mantiveram os agentes em alerta. Nas próximas semanas, o comportamento das cotações deverá depender do avanço da colheita e do beneficiamento no Brasil e da capacidade das exportações de recompor os estoques nos países consumidores.
Fonte: Portal Agroneg.




