
A briga aberta entre os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Alexandre de Moraes virou o centro do debate político no Brasil, a menos de um mês dos brasileiros irem às urnas. O estopim foi uma decisão de Mendonça, relator do caso Master, de suspender o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontava Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em uma série de mensagens. O procurador-geral Paulo Gonet declarou a nulidade do documento, mas o estrago já estava feito. Moraes ficou em silêncio num primeiro momento e, no final da quinta-feira, reagiu usando outro relatório da PF — desta vez com acusações de desvios de conduta contra Mendonça — e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que abrisse investigação contra o colega. Fachin deu cinco dias para que todos os envolvidos se expliquem: Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor da PF Andrei Rodrigues, também citado no relatório. A crise caiu como uma luva para a campanha de Flávio Bolsonaro, que mudou o eixo do comício do 7 de Setembro em São Paulo para gritos de "Fora Lula! Fora Moraes!". O impeachment de Moraes voltou forte nos discursos e na pressão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Outros candidatos também tentaram surfar na onda: Augusto Cury, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas, propôs reduzir o STF de 11 para 9 ministros, criar idade mínima de 50 anos para ingresso e mandato de oito anos. Lula esteve com Fachin em cerimônia no Planalto e defendeu, sem citar nomes, que todos sejam investigados. Na avaliação da colunista Mary Zaidan, quem sai na frente no meio do caos é o próprio Vorcaro, apontado como autor da maior fraude bancária do país, que conseguiu atrair a equipe de Mendonça para uma conversa sigilosa e disparar acusações sem provas.
Fonte: Metropoles




