
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, do Psol, chamou de "decepcionante" o trabalho do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026. "O ritmo de queda da taxa de juros é absolutamente decepcionante", afirmou o ministro.
Boulos lembrou que o presidente Lula foi claro quando indicou Galípolo para o cargo: esperava uma política de redução dos juros. Na avaliação do ministro, essa expectativa não foi atendida.
Além disso, Boulos criticou a forma como o Banco Central define a política de juros no Brasil, dizendo que a autoridade olha apenas para a inflação. Ele comparou com o modelo do banco central americano, o FED, que tem o que chamou de "mandato múltiplo": controla a inflação e também monitora o nível de emprego. Para Boulos, se o Brasil adotasse esse modelo, a taxa de juros poderia ser diferente.
O ministro foi além e questionou a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021 durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele disse que essa autonomia "visivelmente gera um problema para a democracia", questionando o fato de o presidente do BC não ser eleito pelo voto popular.
Questionado se outros membros do governo ou o próprio Lula compartilhavam essa visão, Boulos disse que falava por si mesmo, sem ser porta-voz econômico do governo.
Sobre ajuste fiscal, o ministro defendeu que eventuais cortes devem atingir benefícios tributários e setores de maior renda, e não políticas sociais como saúde e educação. Ele também questionou o volume de desonerações e o custo de quase R$ 1 trilhão por ano que o Brasil gasta com juros da dívida pública. Para rebater críticas sobre o crescimento da dívida brasileira, que estaria chegando a 80% do PIB, Boulos citou que o Japão tem dívida de 200%, a Itália de 160% e os Estados Unidos de mais de 100%.
Fonte: Poder360




