
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços firmes, mas com pouca movimentação nas negociações. A principal razão é a valorização do trigo argentino, que subiu 7,8% em uma semana, passando de US$ 230 para US$ 248 por tonelada. Como a Argentina é a maior fornecedora do cereal para o Brasil, esse encarecimento eleva o custo de reposição via importação e sustenta as cotações no mercado doméstico. Segundo Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, o movimento reforça o viés positivo da paridade de importação, especialmente diante de uma oferta nacional menor.
No mercado argentino, há ainda escassez de lotes com 11% de proteína, levando compradores a aceitarem produtos com 10,5%, o que pode encarecer ainda mais o cereal destinado à moagem.
No Paraná, as referências ficaram próximas de R$ 1.450 por tonelada FOB no interior. Nos Campos Gerais, o trigo remanescente da safra anterior alcançou R$ 1.500 por tonelada. Para a nova safra, negócios para setembro são sinalizados em torno de R$ 1.450 e para novembro em aproximadamente R$ 1.400 por tonelada. No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada, mas a diferença entre as pontas trava o avanço das negociações. Parte dos moinhos gaúchos está abastecida até o fim de setembro, o que reduz a urgência por novas compras.
A colheita da safra 2026 atingiu 4,7% da área cultivada até 14 de agosto, segundo levantamento da Conab, contra 3,3% na semana anterior. Ainda assim, o ritmo está abaixo: em igual período de 2025, a colheita alcançava 6,3%, e a média dos últimos cinco anos é de 6,1%. Os oito estados monitorados — Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul — respondem por 99,9% da produção nacional. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade e a baixa luminosidade ameaçam as lavouras, dificultando a aplicação de fungicidas e outros tratos, o que pode comprometer produtividade e qualidade do cereal.
Fonte: Portal Agroneg.




