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Notícias/AGRONEGÓCIO28/08/2026· KF News

Tokenização de ativos ambientais pode transformar florestas em crédito para o agronegócio

A floresta preservada e as áreas de vegetação nativa, que durante décadas foram tratadas pelo agronegócio como obrigação ambiental, começam a ganhar outro papel: o de ativos capazes de gerar valor econômico e abrir portas para o crédito rural. Bancos, seguradoras, tradings e investidores já incorporam informações territoriais, climáticas e ambientais nas suas avaliações de risco e nas decisões sobre financiamento.

No centro dessa mudança está a tokenização, tecnologia que cria uma representação digital de ativos reais. No campo, ela pode ser aplicada a créditos de carbono, projetos de recuperação de áreas degradadas, iniciativas de conservação, geração de energia renovável e outros instrumentos ligados à bioeconomia. No Brasil, o avanço dessa tecnologia ganhou força com o desenvolvimento do Drex, a iniciativa de infraestrutura digital conduzida pelo Banco Central.

Para o CEO e fundador da Agrotools, Sergio Rocha, essa transformação abre uma nova perspectiva para o produtor. Estimativas citadas por ele indicam que a recuperação de áreas degradadas pode gerar até US$ 141 bilhões em valor econômico nas próximas três décadas, considerando receitas de carbono, produtos florestais e bioeconomia.

O setor, porém, enfrenta um cenário financeiro difícil. Segundo dados apresentados por Rocha, o agronegócio convive com cerca de R$ 180 bilhões em endividamento e juros entre 18% e 20% ao ano, além de gargalos logísticos. No mercado externo, o acordo entre Mercosul e União Europeia e o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR, ampliam a exigência de rastreabilidade. No Brasil, normas do Conselho Monetário Nacional também fortalecem a relação entre regularidade ambiental e concessão de crédito, com novas restrições previstas a partir de 2027.

Um ponto central é que criar um token não basta. O ativo precisa ser verificável, monitorado e auditável. Sem comprovação da existência, localização, integridade e titularidade do ativo, a representação digital não oferece a segurança necessária para atrair instituições financeiras. A inteligência artificial também entra nesse processo, cruzando grandes volumes de dados ambientais, climáticos e financeiros para ajudar na precificação de ativos e na verificação de cadeias de fornecimento.

Fonte: Portal Agroneg.