
A suspensão de um acordo ambiental está colocando em risco cerca de R$ 10 bilhões em investimentos previstos para o cultivo de eucalipto em Mato Grosso. O pacto, chamado de Termo de Compromisso Ambiental, o TCA, foi firmado em junho com o objetivo de reduzir gradualmente o uso de lenha nativa pelas usinas de etanol de milho do estado. O acordo previa que essas usinas usassem no máximo 40% de madeira nativa até o final de 2034, com proibição total do uso de biomassa nativa a partir de 2035. Para entrar em vigor, um decreto regulamentador precisava ser publicado, mas o processo foi suspenso depois que o governador Otaviano Pivetta pediu à Procuradoria-Geral do estado para analisar o tema. O subprocurador Marcelo Ferra explicou que a análise precisa passar pela Procuradoria-Geral por causa do envolvimento do governador, e depois deve ir ao Conselho Superior do Ministério Público. A expectativa é que a avaliação seja concluída até o final do ano. Sem regras claras, empresas, fundos e investidores que avaliam projetos florestais em Mato Grosso ficaram na incerteza. O presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, disse que a indefinição acende uma luz amarela para quem pensa em investir em floresta. A Arefloresta estima que os R$ 10 bilhões poderiam ampliar a área cultivada de eucalipto dos atuais 165 mil hectares para cerca de 400 mil hectares até 2030, crescimento superior a 140%. Mato Grosso concentra 14 das 29 usinas de etanol de grãos em funcionamento no Brasil, além de quatro biorrefinarias autorizadas para construção e outras seis em fase de projeto. O setor também demonstra preocupação com uma possível flexibilização que permitiria às usinas usar madeira nativa para atender permanentemente até 5% da demanda energética, o que, na avaliação da Arefloresta, reduziria a demanda por florestas plantadas e poderia comprometer parte dos investimentos projetados.
Fonte: Portal Agroneg.




