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Notícias/NEWS22/08/2026· KF News

Superpetroleiros cruzam Estreito de Ormuz no escuro com escolta da Marinha dos EUA para fugir de ataques iranianos

Um superpetroleiro grego chamado Kiku virou exemplo da tática mais nova usada pela indústria do petróleo no Oriente Médio: cruzar o Estreito de Ormuz com o rastreador desligado, escoltado pela Marinha dos Estados Unidos, para fugir dos ataques de drones iranianos. Em 31 de julho, o navio simplesmente sumiu dos sistemas de monitoramento marítimo perto de Dubai e só reapareceu no dia 1º de agosto, do outro lado do estreito. Um mês antes, o próprio Kiku havia sido atingido por um drone iraniano — que não explodiu.

A estratégia funciona assim: os navios desligam o transponder, o dispositivo que transmite posição e identidade da embarcação, e cruzam o estreito no escuro. No Golfo de Omã, transferem o petróleo bruto para outros petroleiros, que seguem para destinos como China, Taiwan, Coreia do Sul, Filipinas, Vietnã e Tailândia. A CNN acompanhou mais de uma dúzia dessas transferências de navio a navio ao longo de dois dias.

Segundo o Departamento de Energia dos EUA, o tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem ficado entre 8 e 9 milhões de barris por dia — quase o dobro do que os rastreadores conseguem registrar pelos dados de transponder. De acordo com a empresa Kpler, cerca de 80% do tráfego recente pelo estreito foi feito no escuro, com os navios navegando pela costa de Omã, o mais longe possível do Irã.

A estratégia também envolve rotas alternativas: a Arábia Saudita redirecionou cerca de 5 milhões de barris por dia pelo oleoduto Leste-Oeste até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Outros 2 milhões de barris por dia foram redirecionados ao redor do estreito. Brasil, Guiana e Venezuela somaram mais de 1 milhão de barris extras por dia, e os EUA liberaram 400 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Apesar dos resultados, dois navios dos Emirados Árabes Unidos foram atacados recentemente, mostrando que a tática não está livre de riscos. Imagens de satélite confirmam o movimento intenso de navios no estreito que os dados de rastreamento não conseguem captar.

Fonte: CNN