
Um superpetroleiro grego chamado Kiku virou exemplo da tática mais nova usada pela indústria do petróleo no Oriente Médio: cruzar o Estreito de Ormuz com o rastreador desligado, escoltado pela Marinha dos Estados Unidos, para fugir dos ataques de drones iranianos. Em 31 de julho, o navio simplesmente sumiu dos sistemas de monitoramento marítimo perto de Dubai e só reapareceu no dia 1º de agosto, do outro lado do estreito. Um mês antes, o próprio Kiku havia sido atingido por um drone iraniano — que não explodiu.
A estratégia funciona assim: os navios desligam o transponder, o dispositivo que transmite posição e identidade da embarcação, e cruzam o estreito no escuro. No Golfo de Omã, transferem o petróleo bruto para outros petroleiros, que seguem para destinos como China, Taiwan, Coreia do Sul, Filipinas, Vietnã e Tailândia. A CNN acompanhou mais de uma dúzia dessas transferências de navio a navio ao longo de dois dias.
Segundo o Departamento de Energia dos EUA, o tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem ficado entre 8 e 9 milhões de barris por dia — quase o dobro do que os rastreadores conseguem registrar pelos dados de transponder. De acordo com a empresa Kpler, cerca de 80% do tráfego recente pelo estreito foi feito no escuro, com os navios navegando pela costa de Omã, o mais longe possível do Irã.
A estratégia também envolve rotas alternativas: a Arábia Saudita redirecionou cerca de 5 milhões de barris por dia pelo oleoduto Leste-Oeste até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Outros 2 milhões de barris por dia foram redirecionados ao redor do estreito. Brasil, Guiana e Venezuela somaram mais de 1 milhão de barris extras por dia, e os EUA liberaram 400 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Apesar dos resultados, dois navios dos Emirados Árabes Unidos foram atacados recentemente, mostrando que a tática não está livre de riscos. Imagens de satélite confirmam o movimento intenso de navios no estreito que os dados de rastreamento não conseguem captar.
Fonte: CNN




