
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou o habeas corpus de Willian Barile Agati na quarta-feira (26/8). Com isso, ele continua preso preventivamente. Agati é apelidado pela Polícia Federal de "concierge do PCC" — o Primeiro Comando da Capital.
Segundo as investigações da PF, ele era o elo entre a cúpula do PCC e a máfia italiana 'Ndrangheta, intermediando a venda de cocaína para compradores na Europa. A droga saía pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, escondida em cargas de produtos agrícolas, com destino ao Porto de Valência, na Espanha. Ele também controlava uma rota aérea entre Brasil e Bélgica, usando aviões privados adaptados para o transporte de entorpecentes.
O apelido "concierge" se deve à variedade de serviços que prestava ao crime: lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, fornecimento de jatos, imóveis de alto padrão e veículos importados para criminosos. Para se comunicar, usava o aplicativo criptografado Sky ECC com codinomes como "Senna", "Boxeador", "Jogador" e "Playboy". A PF aponta que Agati movimentou cerca de R$ 2 bilhões entre 2017 e 2024.
Ele também é acusado de ter tentado resgatar Fuminho, braço direito de Marcola, que estava preso em Moçambique, e de ter repassado R$ 5 milhões ao Cruzeiro em 2021 numa suposta operação de lavagem. O clube e o ex-presidente Sérgio Santos Rodrigues negaram irregularidades, confirmaram o recebimento como empréstimo legal e disseram que o valor foi devolvido com juros entre 2021 e 2022.
Agati foi preso em janeiro do ano passado, na Operação Mariusi. Hoje está no Presídio Federal de Brasília, o mesmo onde está Marcola. A defesa nega todas as acusações e classifica as provas como nulas, citando os telefones criptografados Sky ECC.
Fonte: Metropoles




