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Notícias/NEWS31/08/2026· KF News

Só 35,9% dos trabalhadores de aplicativo contribuem para o INSS e correm risco de ficar sem aposentadoria

O IBGE revelou que 1,7 milhão de brasileiros trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos em 2024, o que representa 1,9% da população ocupada no setor privado. O número vem crescendo: de 2022 a 2024, esse grupo aumentou 25,4%, o equivalente a 335 mil novos trabalhadores.

O grande problema está na Previdência. Apenas 35,9% desses trabalhadores contribuem para o INSS. Entre os demais trabalhadores do país, esse percentual é bem maior: 61,9%. Quem não contribui corre o risco de chegar na velhice sem aposentadoria e depender apenas do BPC, benefício pago pelo INSS no valor de um salário mínimo, hoje R$ 1.621.

A advogada especialista em Direito Previdenciário, Tatiana Campos de Moraes Nora, é direta: "Se o indivíduo não contribui, não vai ter direito à aposentadoria: nem por idade, nem por tempo de trabalho."

Vandir Ferreira Telis Filho, motorista de aplicativo de 57 anos, é um exemplo de quem escolheu não contribuir. Graduado em Direito e ex-militar, ele passou por um divórcio há três anos e foi para o aplicativo se reorganizar. Na opinião dele, o retorno do INSS não compensa o investimento e acredita ser possível montar uma aposentadoria melhor por outros meios.

O INSS vive no vermelho. Em junho deste ano, o déficit do Regime Geral de Previdência Social foi de R$ 50,5 bilhões. O rombo total cresceu de R$ 304,2 bilhões em 2021 para R$ 317,2 bilhões no ano passado. O envelhecimento da população agrava a situação: entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4%, enquanto a população de até 14 anos diminuiu.

O planejador financeiro Maurício Vono recomenda que as pessoas enxerguem o INSS apenas como um complemento de renda. Para quem não contribui, ele indica o Tesouro Direto como a alternativa mais segura disponível, acessível inclusive pelo Gov.br com aplicações via Pix. Ele também alerta para desconfiar de propostas mirabolantes de alta rentabilidade.

Fonte: Metropoles