
A Shein, famosa por vender vestidos de US$ 5 e calças jeans de US$ 10 para compradores em cerca de 160 países, vai abrir seu capital na bolsa de Hong Kong. A empresa quer levantar até US$ 1,8 bilhão com a oferta de 280 milhões de ações, com preço entre HK$ 47,60 e HK$ 49,50 por ação. O valor de mercado da Shein hoje está em cerca de US$ 27 bilhões — muito abaixo dos US$ 100 bilhões que valia em 2022 e dos US$ 64 bilhões de 2023 e 2024. Isso representa uma queda de cerca de 70% em relação ao pico no mercado privado.
A queda vem num momento difícil: tarifas mais altas nos EUA, concorrência acirrada da Temu e custos maiores estão pesando nos negócios. A receita da Shein nos EUA caiu 14,3% no primeiro trimestre deste ano depois que os americanos acabaram com a isenção de imposto para pacotes pequenos enviados da China. A empresa registrou prejuízo trimestral de US$ 99 milhões e uma baixa contábil de US$ 328 milhões.
Analistas não estão otimistas. Dickie Wong, da uSMART Securities de Hong Kong, disse que o crescimento já desacelerou bastante e não recomenda a compra das ações. Lorraine Tan, da Morningstar em Singapura, avalia que o interesse dos investidores globais na Shein diminuiu. A empresa ainda enfrenta investigações nos EUA e na Europa, incluindo uma apuração da Comissão Federal de Comércio americana.
Investidores âncora como Boyu, Tiger Global e General Atlantic já subscreveram cerca de US$ 383 milhões em ações. Os cofundadores Sky Yangtian Xu, Maggie Gu, Molly Miao e Tony Ren vão manter 90% dos direitos de voto da empresa. O preço final das ações sai em 31 de agosto e as negociações começam em 1º de setembro. Este é o maior IPO em Hong Kong em 2026, superando a oferta de US$ 751 milhões da Momenta Global em julho.
Fonte: CNN




