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Notícias/AGRONEGÓCIO28/08/2026· KF News

Santa Catarina busca parceria com o Paraguai para reduzir déficit de quase 6 milhões de toneladas de milho

Santa Catarina consome cerca de 8,5 milhões de toneladas de milho por ano para abastecer as cadeias produtivas de aves, suínos, leite e ovos. O problema é que o estado produz menos de 3 milhões de toneladas. Dados da Faesc apontam produção de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas por ano, enquanto o Observatório Agro Catarinense estima 2,67 milhões de toneladas para a safra 2025/2026. O déficit fica perto de 6 milhões de toneladas, o que obriga as indústrias a buscar o grão principalmente no Centro-Oeste, percorrendo mais de mil quilômetros até as fábricas catarinenses.

Para tentar resolver o problema, o governador Jorginho Mello liderou uma missão ao Paraguai. A proposta é criar a Rota do Milho, com melhorias em estradas, travessias internacionais, estruturas aduaneiras e protocolos sanitários. Em 2025, o milho já correspondeu a 15,2% das importações catarinenses vindas do Paraguai, movimentando US$ 70,5 milhões, segundo a Fiesc. As importações totais de produtos paraguaios chegaram a US$ 464 milhões, alta de 390,5% em relação a 2015. As exportações catarinenses para o Paraguai atingiram US$ 445,1 milhões, fazendo a corrente de comércio chegar a US$ 909,1 milhões.

O economista João Victor da Silva, da Orsitec, afirma que a falta de infraestrutura funciona como um imposto invisível que aparece no preço do frango, do ovo, do leite e da carne suína, corroendo também a margem do produtor do Oeste catarinense. Na avaliação dele, cabe ao Estado cuidar de estrada, aduana e protocolo sanitário, sem escolher quem vence no mercado.

Os portos catarinenses também entram na equação. A Portonave, em Navegantes, movimentou 1,1 milhão de TEUs em 2025 e registrou a maior produtividade de navios do país, segundo a Antaq. A empresa tem plano de investir R$ 2 bilhões para ampliar sua capacidade de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs até o final de 2026, o que pode atrair também cargas paraguaias destinadas à Ásia e a outros mercados internacionais.

Fonte: Portal Agroneg.