
O preço do milho está em trajetória de alta no Brasil e no mercado internacional. Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, os produtores brasileiros estão segurando as vendas tanto no mercado à vista quanto nos contratos futuros, na expectativa de conseguir preços mais altos nas próximas semanas. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), essa postura mais retraída dos vendedores reduz a oferta disponível e ajuda a sustentar as cotações nas principais regiões produtoras do país.
No exterior, a Bolsa de Chicago abriu a segunda-feira, dia 24, com fortes ganhos. Por volta das 9h11 no horário de Brasília, os principais contratos avançavam mais de 12 pontos. O contrato para setembro de 2026 era negociado a US$ 4,96 por bushel. Dezembro de 2026 chegou a US$ 5,21, março de 2027 a US$ 5,36 e maio de 2027 a US$ 5,42 por bushel. A alta veio após a Pro Farmer divulgar estimativa de produção americana de 15,344 bilhões de bushels na safra 2026/27, com produtividade de 173,2 bushels por acre — bem abaixo dos 16,013 bilhões de bushels e dos 180,7 bushels por acre estimados pelo USDA. A diferença entre as duas projeções equivale a cerca de 17 milhões de toneladas. Comparado à safra 2025/26, quando os americanos produziram 17,021 bilhões de bushels, a queda pode chegar a quase 10%.
Além disso, preocupações com o clima na União Europeia e o conflito no Mar Negro, envolvendo Rússia e Ucrânia, reforçam a cautela no mercado global e dão mais suporte aos preços.
No Brasil, os valores variam por estado. No Rio Grande do Sul, a saca de 60 kg oscilou entre R$ 58 e R$ 65, com média estadual de R$ 59,32, alta de 0,54% na semana. Em Santa Catarina, vendedores pedem cerca de R$ 60 e compradores oferecem R$ 55, com a diferença de R$ 5 travando os negócios. No Paraná, o preço médio ao produtor fechou em R$ 56,79 por saca, com alta de 7,8% em relação a julho e de 11% frente a agosto de 2025. A colheita paranaense atingiu 73% dos mais de 2,9 milhões de hectares plantados. Em Mato Grosso do Sul, os preços ficaram entre R$ 48 e R$ 50 por saca, com as usinas de etanol de milho ajudando a absorver parte da produção.
Analistas da TF Agroeconômica recomendam que os produtores vendam de forma escalonada: começar negociando entre 20% e 30% do volume disponível, e acrescentar novos lotes caso os preços alcancem as faixas de R$ 70 a R$ 72 e depois R$ 73 a R$ 75 por saca.
Fonte: Portal Agroneg.




