
O preço do feijão-carioca voltou a subir no mercado brasileiro, mesmo com o avanço da colheita da terceira safra. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, a menor disposição dos produtores para negociar e a procura por grãos de melhor qualidade estão sustentando as cotações.
Depois de vender o suficiente para cobrir despesas e reforçar o caixa, os agricultores passaram a armazenar uma parcela maior da produção. Essa estratégia reduziu a quantidade de feijão disponível para venda imediata e fortaleceu a posição dos vendedores nas negociações. Com isso, compradores encontram dificuldades para adquirir lotes com as características que o mercado exige.
A qualidade dos grãos virou um fator decisivo na formação dos preços. Lotes com boa cor, tamanho, peneira e uniformidade são disputados por empacotadores e distribuidores, que precisam atender às exigências do varejo e do consumidor final. Já os grãos escurecidos, manchados ou fora do padrão comercial enfrentam resistência e são negociados com desconto, criando diferenças relevantes de preço até dentro de uma mesma região produtora.
Na ponta compradora, os agentes estão monitorando tanto os lotes disponíveis quanto as lavouras que ainda estão no campo, para estimar quanto produto chegará ao mercado nas próximas semanas e planejar compras e estoques com antecedência. As condições climáticas durante a colheita também são acompanhadas de perto, já que chuvas ou excesso de umidade podem comprometer a aparência e o padrão comercial dos grãos.
A terceira safra deve produzir mais do que a safra anterior, mas esse aumento esperado não foi suficiente, até agora, para interromper a valorização dos lotes mais procurados. Parte do produto segue armazenada, outra parcela ainda está no campo e os lotes ofertados apresentam padrões variados de qualidade. O mercado do feijão-carioca permanece marcado por oferta seletiva, produtores firmes e valorização concentrada nos grãos de maior qualidade.
Fonte: Portal Agroneg.




