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Notícias/AGRONEGÓCIO14/08/2026· KF News

Preço do arroz dispara 22% em um mês no Rio Grande do Sul e El Niño ameaça calendário da próxima safra

O mercado brasileiro de arroz vive um momento de atenção. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país, a combinação entre oferta restrita, resistência dos produtores em vender e atraso no preparo das áreas para a próxima safra acende um sinal de alerta para o setor.

O analista e consultor Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, explica que os produtores estão segurando o produto na origem, na expectativa de preços próximos de R$ 80 por saca. Com isso, o volume disponível para as indústrias recomporem seus estoques diminuiu, e os engenhos estão enfrentando dificuldade para fechar negócio. Essa menor liquidez, segundo Oliveira, não significa queda na demanda, mas sim resistência dos produtores em vender nos preços atuais.

Os números mostram a pressão. O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira, dia 13, em R$ 75,10 por saca. Isso representa alta de 3,98% em uma semana, avanço de 22,63% em relação ao mesmo período do mês passado e valorização de 7,30% na comparação anual.

A disputa pela matéria-prima pode aumentar ainda mais caso o mercado externo entre em cena. Com a paridade de exportação funcionando como referência adicional de preço, o produtor tende a direcionar sua produção para o canal que oferecer melhor combinação entre preço, liquidez e segurança de pagamento.

No campo, a situação também preocupa. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, apenas cerca de 60% da área está preparada para a próxima safra, enquanto a média histórica para este período fica próxima de 90%. Segundo Oliveira, o El Niño deixa de ser apenas uma ameaça à produtividade e passa a representar um risco direto ao calendário agrícola. As chuvas podem dificultar a entrada de máquinas, atrasar o preparo do solo e comprometer o cronograma de semeadura. Além do clima, produtores com menos capital podem enfrentar dificuldade para realizar todas as operações no tempo certo, o que pode resultar em redução da área plantada e impactos na oferta futura.

Fonte: Portal Agroneg.