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Notícias/AGRONEGÓCIO14/08/2026· KF News

Preço do arroz afeta de jeito diferente o produtor rural e a indústria de beneficiamento

O preço do arroz pode representar realidades bem diferentes dependendo de onde está quem o analisa. Para o produtor rural, uma cotação considerada baixa pode não cobrir os custos da lavoura e comprometer a capacidade de investir na próxima safra. Para a indústria, esse mesmo preço pode parecer alto, porque ela ainda precisa arcar com beneficiamento, embalagem, energia elétrica, transporte, tributos, armazenamento e capital de giro.

Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia do arroz, essa diferença de percepção não é uma contradição entre os elos do setor. O que muda é a estrutura de custos, os riscos e as responsabilidades de cada um. No campo, o produtor enfrenta gastos com sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, mão de obra, crédito e juros, além de estar exposto às oscilações do clima e do mercado. Quando o preço da saca fica abaixo ou próximo do custo de produção, a margem financeira encolhe.

Na indústria, o cenário também é de pressão. Ela adquire a matéria-prima, realiza o processamento e ainda precisa manter competitividade no varejo, que dificulta o repasse integral dos custos ao consumidor.

Cardoso reforça que a cadeia do arroz precisa ser analisada de forma integrada. Se o produtor reduz investimentos por falta de retorno, a oferta futura pode cair. Se a indústria perde competitividade, sua capacidade de absorver a produção e atender o mercado também é afetada. O principal desafio, segundo o analista, é encontrar um nível de preços que garanta sustentabilidade econômica para o produtor, para a indústria, para o varejo e acesso ao produto pelo consumidor.

Fonte: Portal Agroneg.