
Dois policiais civis e um policial militar reformado foram presos em flagrante por extorsão qualificada na noite de terça-feira (25/8), em Osasco, na Grande São Paulo. A vítima era um motorista de aplicativo que, na tarde de segunda-feira (24/8), recebeu uma mensagem de um desconhecido pedindo que buscasse um pacote na Rua Sebastião Annunciatto, em Osasco, e entregasse em outro endereço na mesma cidade, pelo valor de R$ 800. Ele foi acompanhado da esposa e aceitou o serviço sem saber o que havia dentro da encomenda.
Ao chegar no local de entrega, três policiais desceram de um Renault Logan branco e abordaram o casal. "Perdeu, perdeu. Coloca a algema nele, isso aqui é droga", teriam dito os agentes ao abrir o pacote. Os policiais afirmaram ainda que havia "uns 100g de massa" dentro da embalagem.
O motorista foi separado da esposa e levado a uma sala fechada no 10° Distrito Policial de Osasco. Lá, os policiais teriam exigido R$ 50 mil para encobrir o caso. O valor foi sendo reduzido: primeiro para R$ 30 mil. Como a vítima disse não ter o dinheiro e que precisaria vender o carro para pagar, os agentes ficaram com o veículo do casal e os liberaram para conseguir o montante. Depois disso, o motorista passou a receber ameaças por mensagens para honrar o pagamento.
No dia seguinte, o motorista procurou a sede da Corregedoria da Polícia Civil, onde reconheceu dois investigadores como os autores da extorsão. A Corregedoria orientou a vítima a negociar o valor e combinar a entrega no próprio 10° DP. O valor foi reduzido a R$ 10 mil, e as cédulas usadas no pagamento foram marcadas previamente na sede do órgão. Quando o motorista voltou ao DP para pagar, os dois policiais civis foram presos em flagrante.
Durante a operação, os agentes da Corregedoria ligaram para o número de onde vieram as ameaças — e um aparelho tocou na sala de um PM reformado, que também foi preso. A Secretaria da Segurança Pública confirmou as prisões por extorsão qualificada. O PM foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. A autoridade policial representou ao Judiciário pela conversão dos flagrantes em prisões preventivas e pela quebra do sigilo dos celulares apreendidos. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar a conduta dos policiais civis envolvidos.
Fonte: Metropoles




