
As comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal estão sendo afetadas pela polarização política interna do Brasil. Embora sejam espaços criados para tratar das relações internacionais do país de forma técnica, os dois órgãos têm atuado de forma limitada diante das crises diplomáticas enfrentadas pelo Brasil atualmente.
Temas como a relação com os Estados Unidos, as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a situação da Venezuela e a atuação do Brasil em organismos internacionais passaram a ser analisados também pelo viés da disputa política e ideológica.
Deputados da base do governo ouvidos pelo Metrópoles, sob condição de anonimato, afirmam que a CREDN, comissão de Relações Exteriores da Câmara, é a que enfrenta a maior disputa política e ideológica da Casa. Segundo um desses parlamentares, "a oposição usa a comissão para polarizar discussões da política externa e da diplomacia". O mesmo deputado lembrou que antes a CREDN era um espaço de debate técnico e qualificado, mas que hoje "diversas vezes não dá para aprofundar em temas", porque integrantes da oposição "apenas querem e buscam pelo confronto".
Segundo analistas, esse movimento de ideologização da pauta internacional começou por volta de 2014, ainda durante o governo Dilma Rousseff, e ganhou força durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O doutor em Política Comparada e analista internacional Paulo Cesar Rebello lembra que, em 2019, quando a CREDN era presidida pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, a política externa foi apresentada como comprometida com o "pragmatismo, o fim das barreiras ideológicas e a busca pela diplomacia de resultados concretos".
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