
AGRONEGOCIO - Trump lança programa "Ranchers First" para reconstruir rebanho bovino americano e movimento pode beneficiar o Brasil no curto prazo
O governo Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (31) o programa "Ranchers First", um pacote de medidas do USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, para tentar reconstruir o rebanho bovino americano, hoje no menor nível em 75 anos. O plano combina seguro para estimular a retenção de fêmeas, crédito para frigoríficos independentes, incentivo a novos pecuaristas e prioridade à carne americana nas compras governamentais, como em hospitais, presídios e outras instituições públicas.
O mecanismo central é o BRAND, uma nova cobertura dentro do programa Livestock Risk Protection. A ideia é proteger financeiramente o produtor que optar por manter a novilha para reprodução em vez de mandá-la para o abate — proteção válida por dois anos. O problema é que menos animais abatidos hoje significa menos carne disponível no curto prazo, pressionando ainda mais os preços num momento em que o americano já sofre com a inflação de alimentos.
O governo americano enfrenta dois problemas ao mesmo tempo: reconstruir o rebanho e baixar o preço da carne para o consumidor. O "Ranchers First" também prevê empréstimos garantidos para ampliar a participação de frigoríficos pequenos e regionais, cooperativas de processamento e diversificação das proteínas processadas. O próprio USDA afirma que quase 20% da capacidade de processamento de carne bovina estará disponível quando o rebanho voltar a crescer.
O Brasil ampliou sua participação nas importações americanas justamente nesse cenário de oferta apertada. A situação piorou com a identificação da mosca-da-bicheira nos EUA em junho, doença que já havia gerado restrições sanitárias no México, importante fornecedor de gado para os americanos. Trump também criticou a concentração do setor em quatro grandes empresas: Tyson Foods, Cargill, JBS USA e National Beef — sendo que as duas últimas têm controle brasileiro. Se a retenção de fêmeas ganhar força, a oferta americana pode ficar ainda mais apertada, abrindo mais espaço para o Brasil. Se o programa funcionar no longo prazo, esse espaço tende a diminuir.
Fonte: CNN




