
Pesquisadores brasileiros identificaram e descreveram uma nova espécie de bactéria associada ao "mal do olho" em bovinos, enfermidade conhecida como ceratoconjuntivite infecciosa bovina. O microrganismo foi batizado de Moraxella tarda sp. nov. e foi encontrado na mucosa nasal de bovinos da raça Hereford criados no bioma Pampa, que apresentavam sinais iniciais da doença. O trabalho foi liderado pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Instituto Biológico de São Paulo, com resultados publicados na revista científica Current Microbiology.
A pesquisa começou em 2018 com coletas realizadas na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. As análises foram aprofundadas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul. Os estudos bioquímicos, fisiológicos e genômicos permitiram diferenciar o microrganismo de espécies já conhecidas, como a Moraxella bovis e a Moraxella bovoculi.
O nome "tarda" veio do comportamento incomum da bactéria: enquanto outras do mesmo gênero formam colônias em 24 horas, a nova espécie levava cerca de 48 horas. As colônias tinham tamanho reduzido e aspecto brilhante e perolado. O genoma analisado tem aproximadamente 1,86 milhão de pares de bases, um dos menores do gênero Moraxella, e a comparação de DNA com outras espécies ficou entre 77% e 79% de identidade, abaixo do limite de 95% exigido para considerar dois organismos da mesma espécie.
Amostras foram depositadas em coleções internacionais na Bélgica, em Portugal e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Os próprios pesquisadores destacam que ainda são necessários novos estudos para confirmar o papel da bactéria no desenvolvimento da doença. A descoberta pode contribuir futuramente para o desenvolvimento de vacinas mais completas, segundo Fernando Cardoso, pesquisador da Embrapa e um dos autores do trabalho.
Fonte: Portal Agroneg.




