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Notícias/SAÚDE14/08/2026· KF News

Perda de mobilidade pode surgir antes da perda da autonomia, alerta especialista da USP

O médico ortopedista Dr. Alexandre Leme Godoy-Santos, professor associado da Faculdade de Medicina da USP e cirurgião do tornozelo e pé no Hospital Israelita Einstein, alerta que a perda da autonomia raramente acontece de repente. Antes dela, o corpo costuma dar sinais que muita gente ignora ou atribui simplesmente à idade, como dificuldade para subir escadas, dor ao levantar de uma cadeira, limitação para caminhar ou abandono das atividades físicas por causa da dor.

Segundo o especialista, quando uma pessoa para de se movimentar por causa da dor ou de uma limitação física, ela começa a perder massa muscular, equilíbrio, capacidade cardiovascular e confiança para realizar tarefas do dia a dia. Esse ciclo favorece o sedentarismo e aumenta o risco de doenças como diabetes, hipertensão, osteoporose, sarcopenia e problemas no coração.

O médico explica que o aparelho locomotor funciona como um sistema integrado. Músculos, tendões, ligamentos, articulações e o controle neuromuscular trabalham juntos. Quando uma dessas partes falha, as outras compensam, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Por isso, a origem da dor nem sempre está no local onde ela aparece. Um joelho dolorido pode ter relação com o quadril, e uma lombalgia persistente pode estar ligada à perda de mobilidade do tornozelo.

O especialista aponta que exames como raio-x, tomografia e ressonância magnética são ferramentas importantes, mas registram o corpo em repouso. Para entender o que acontece em movimento, já existem tecnologias como a tomografia computadorizada com carga, conhecida como Weight-Bearing CT, realizada com o paciente em pé, e a análise funcional tridimensional do movimento, chamada Biocinética 3D, que avalia marcha, postura, força muscular e padrões biomecânicos com câmeras de alta precisão.

Essas ferramentas, segundo o médico, não substituem a avaliação clínica, mas tornam o diagnóstico mais preciso e ajudam a montar programas de fisioterapia e reabilitação adaptados para cada paciente. O Dr. Alexandre reforça que quanto mais cedo essas mudanças forem identificadas, maiores as chances de preservar a mobilidade e envelhecer com qualidade de vida.

Fonte: Jovem Pan