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Notícias/AGRONEGÓCIO17/08/2026· KF News

Pedidos de recuperação judicial no agronegócio sobem 56,4% mesmo com safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025

O Brasil viveu uma contradição histórica em 2025: bateu recorde na produção de grãos, com 346 milhões de toneladas registradas pelo IBGE, mas também viu disparar o número de produtores rurais e empresas do setor pedindo recuperação judicial. Foram 1.990 pedidos ao longo do ano, uma alta de 56,4% em relação a 2024, conforme levantamento da Serasa Experian. É o maior número desde que a série histórica começou a ser medida, em 2021.

O advogado Renato Ewerton de Melo, especialista em Direito Empresarial da RDS Advogados Associados, explica que o problema central está na combinação entre aumento dos custos de produção, redução da rentabilidade, dificuldade de acesso ao crédito e dívidas acumuladas de ciclos anteriores. Na prática, produzir mais não significou ganhar mais.

Os custos voltaram ao patamar de 2022, época dos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia nas cadeias de insumos. Só os fertilizantes subiram quase 18%, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) citados no estudo. O crédito rural recuou 17% e determinadas taxas de juros do Plano Safra chegaram a 14%, dificultando a renegociação de dívidas antigas. A inadimplência rural fechou 2025 em 8,2%.

A soja, uma das principais culturas do país, também sentiu o impacto: a rentabilidade da cultura teria recuado aproximadamente 48% entre as safras 2024/25 e 2025/26, segundo o levantamento de Melo. Em propriedades arrendadas, a pressão financeira é ainda maior por causa dos custos do arrendamento.

Levantamento da NEOT citado por Melo aponta que frustrações de safra e eventos climáticos aparecem em 85% dos processos de recuperação judicial analisados, ao lado de fatores como queda nos preços das commodities e descompasso entre custos e receitas.

No campo institucional, o Senado aprovou uma proposta de renegociação de dívidas rurais com impacto estimado de até R$ 140 bilhões na dívida pública. Melo também destaca que decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçam a exigência de transparência nos processos de recuperação judicial, com produtores e empresas precisando apresentar de forma clara sua situação financeira, patrimonial e as perspectivas de reorganização das atividades.

Fonte: Portal Agroneg.