
Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro cresceram 21,9% no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, foram registradas 474 solicitações, contra 389 no mesmo período de 2025, de acordo com dados da Serasa Experian. O número chama atenção porque o setor vive a expectativa de uma safra recorde, revelando um paradoxo: produzir mais não tem garantido melhora financeira.
Juros elevados, crédito mais seletivo, custos operacionais altos e oscilação nos preços das commodities continuam comprimindo as margens dos produtores rurais. A pressão também atinge empresas de insumos, armazenagem, transporte, comercialização e processamento da produção.
O movimento de 2026 vem após um ano histórico. Em 2025, o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial, o maior número da série histórica da Serasa Experian, representando alta de 56,4% sobre as 1.272 solicitações de 2024.
Para Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em recuperação empresarial, o problema está na estrutura financeira, não na produção. Segundo ele, o produtor muitas vezes mantém produtividade elevada, mas recebe menos pela produção enquanto os custos de plantar, financiar e operar cresceram. A combinação de insumos caros, crédito restrito e oscilações nos preços das commodities reduz a margem e aumenta o risco de desequilíbrio entre receitas e pagamentos.
Barroso alerta ainda que a recuperação judicial não deve ser o primeiro caminho. Quando usada sem planejamento ou no momento errado, tende a prolongar dificuldades que poderiam ter sido enfrentadas antes. Renegociar dívidas, revisar custos, vender ativos não estratégicos e alongar prazos são alternativas que ampliam as chances de preservar o negócio.
Para Benito Pedro Vieira Santos, CEO do Grupo Avante Assessoria e especialista em governança corporativa, o setor precisa administrar o crescimento com a mesma eficiência que aprendeu a produzir. Ele destaca que os bancos já não olham só para o patrimônio: geração de caixa, qualidade das informações e governança financeira têm cada vez mais peso na hora de liberar crédito.
Fonte: Portal Agroneg.




