
A crise no Supremo Tribunal Federal entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, gerou reações em várias frentes da OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil.
O Conselho Federal da OAB publicou nota dizendo que acompanha o caso com atenção e extrema preocupação, pedindo apuração rigorosa e isenta, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência. A nota destacou ainda o risco para a democracia, sobretudo por a crise ocorrer durante o período eleitoral.
Algumas seccionais, porém, foram mais diretas. A OAB do Paraná defendeu o afastamento cautelar de Moraes, afirmando que os elementos relacionados ao ministro são graves o suficiente para comprometer a credibilidade da investigação enquanto ele seguir no cargo. A OAB de Rondônia e a do Ceará também pediram o afastamento cautelar. A seccional de Santa Catarina disse que vai cobrar as mesmas medidas que exige de qualquer autoridade pública investigada, sem blindagem ou corporativismo. Em relação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, as seccionais do Paraná e de Rondônia pediram que ele seja considerado suspeito no caso relacionado ao Banco Master.
Outras seccionais, como as do Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e Rio de Janeiro, adotaram tom crítico mas sem pedir expressamente o afastamento de Moraes, defendendo apenas apuração independente e transparente.
A crise começou quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mais de 50 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Os registros indicam que o empresário recorria ao ministro em busca de proteção diante de investigações da PF e da PGR. Dois dias depois, Moraes pediu a investigação de Mendonça, alegando abuso de poder e direcionamento das investigações sobre o Banco Master e o INSS. O caso agora está com o presidente do STF, Edson Fachin, que vai decidir se os pedidos de investigação vão ao plenário. Na próxima quarta-feira, o Conselho Federal da OAB e os presidentes das seccionais se reúnem com Fachin para debater o assunto.
Fonte: CNN




