
O vírus da chikungunya foi confirmado no Brasil em 2014 e desde então vem se espalhando por todas as regiões do país. Transmitida pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Aedes, a doença tem baixa mortalidade, mas pode ser incapacitante, deixando dores articulares por meses ou até anos. O infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Einstein Hospital Israelita, explica que a repercussão clínica é muito desagradável e pode tirar a pessoa do trabalho ou de outras atividades.
Em 2025, o Brasil notificou 129.123 casos prováveis da doença, com 107.975 confirmados e 121 mortes, de acordo com a Opas, a Organização Pan-Americana da Saúde.
Duas vacinas estão avançando no país ao mesmo tempo. Em junho, a farmacêutica Eurofarma submeteu à Anvisa o pedido de análise da vacina CHIKV VLP, já aprovada para pessoas a partir de 12 anos nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá. A vacina é de dose única e usa partículas parecidas com o vírus, mas sem material genético, ou seja, não infecta células nem causa a doença.
Em maio, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan, em São Paulo, a produzir a Butantan-CHIK, desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Ela usa vírus vivo atenuado e está indicada para pessoas de 18 a 59 anos com risco aumentado de exposição. O médico infectologista Julio Croda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, destaca que ter essa capacidade de produção nacional dá mais autonomia ao Brasil e reduz a dependência de doses importadas.
O Ministério da Saúde conduz uma estratégia-piloto de vacinação em municípios de Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo, com cerca de 48.000 doses aplicadas até agora. A pasta não informou previsão para oferta regular da vacina no SUS, que depende de avaliação da Conitec.
Pesquisadores da USP e da Universidade de Bonn, na Alemanha, testam ainda uma terceira candidata a vacina, mas ela está em fase pré-clínica, avaliada apenas em camundongos. Nos experimentos, todos os animais vacinados sobreviveram após exposição ao vírus, enquanto os do grupo de controle morreram em até três dias. As partículas usadas estimularam uma quantidade de anticorpos cerca de nove vezes maior do que as partículas não tratadas. Os resultados foram publicados na revista científica NPJ Vaccines, mas ainda não permitem concluir que a vacina seja segura ou eficaz em pessoas.
Fonte: Poder360




