
Daniel Perez, escolhido pelo presidente americano Donald Trump para ser embaixador no Brasil, afirmou em entrevista à emissora WPLG Local 10, de Miami, no domingo (23), que não haverá "nenhum envolvimento" da sua parte nas eleições brasileiras de outubro. "Isso cabe aos brasileiros decidir e eles têm um processo eleitoral pelo qual precisam passar em outubro. Quem quer que saia como vencedor será com quem estarei trabalhando", declarou.
Mesmo com a nomeação já aprovada pelo Senado americano, Perez ainda depende do aval do governo do presidente Lula para assumir o cargo em Brasília. O documento oficial de aceitação, chamado agrément, ainda não foi concedido pelo Brasil. O próprio Lula já declarou publicamente que não vai receber nenhum embaixador antes das eleições. Segundo o professor Lucas de Souza Martins, da Temple University, "a partir daqui, não há como seguir com a indicação porque falta justamente a concessão do agrément."
Sobre as tarifas impostas pelo governo Trump ao Brasil, Perez foi direto: vai atuar "garantindo que os interesses da economia dos Estados Unidos venham em primeiro lugar." Ele citou o etanol como exemplo, dizendo que os brasileiros taxam o setor americano em cerca de 18 a 19%, enquanto os EUA respondem com taxas de 1 a 1,5%. Perez disse não ter recebido detalhes da ligação entre Trump e Lula, mas acredita que ambos buscam um acordo benéfico para os dois países.
A tensão diplomática se agravou quando o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, como resposta ao que descreveu como demora do Brasil na concessão do agrément. Os EUA prometeram restabelecer o visto imediatamente assim que o aval for dado. O Palácio do Planalto reagiu afirmando que segue estritamente o direito internacional e que o pedido americano ainda está em análise.
Fonte: CNN




