
O Ministério Público Federal entrou em campo nesta quinta-feira, dia 20 de agosto de 2026, e exigiu que o Discord explique o que está fazendo para proteger crianças e adolescentes na plataforma. A ação é do procurador federal dos Direitos do Cidadão, Paulo Thadeu Gomes da Silva.
O MPF quer informações detalhadas sobre como o Discord verifica a idade dos usuários, como gerencia riscos e o que faz para prevenir, detectar e reduzir violações de direitos de menores — inclusive dentro de servidores privados e em conversas protegidas por criptografia de ponta a ponta.
Além de cobrar o Discord, o procurador vai oficiar a ANPD, a Agência Nacional de Proteção de Dados, para saber se a empresa enviou essas informações ao órgão. O Ministério da Justiça também foi acionado e deverá entregar ao MPF o levantamento de operações policiais que investigam o uso da plataforma entre 2023 e 2026, mais os relatórios técnicos produzidos pelo Ciberlab.
O caso veio à tona com força após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul, no dia 22 de julho. De acordo com a Polícia Civil e o Ministério da Justiça, ela foi induzida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord. A investigação identificou que o Discord e o Telegram eram usados para recrutar vítimas, espalhar discursos de ódio e incentivar comportamentos violentos. Em 4 de agosto, o Ministério da Justiça divulgou operações contra os grupos investigados. Dois dias depois, a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu o bloqueio do Discord no Brasil, e a Advocacia Geral da União anunciou que acionaria a Justiça para responsabilizar a empresa e pedir a suspensão da plataforma. No dia 17 de agosto, o Discord suspendeu as transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD. A plataforma, porém, segue disponível no país — texto, áudio, mensagens diretas e servidores continuam funcionando normalmente. As transmissões ficam suspensas até que a empresa comprove que está protegendo de verdade crianças e adolescentes.
Fonte: Poder360




