
O advogado-geral da União, Jorge Messias, publicou uma nota no Instagram neste domingo, 6 de setembro de 2026, afirmando que a função pública jamais deve ser orientada por "amizades, afinidades ou circunstâncias pessoais", mas pela Constituição e pelas regras da República. Disse também que questões de Estado devem ser tratadas com "impessoalidade, fundamento técnico e transparência".
A declaração veio logo depois de a Polícia Federal divulgar, em 3 de setembro de 2026, um relatório de inteligência levantando hipóteses para explicar por que a AGU não atendeu pedidos da corporação relacionados às operações Compliance Zero e Sem Desconto, ambas sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Uma das hipóteses levantadas pela PF foi a "preservação de relação política" entre Messias e Mendonça. A corporação citou ainda "gestos públicos de apoio" de Mendonça à indicação de Messias para uma vaga no STF e uma "matriz religiosa comum" entre os dois, já que ambos são evangélicos.
Messias não mencionou diretamente Mendonça, a PF ou os relatórios em sua nota. Ele afirmou ter o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para exercer suas atribuições "com independência técnica, rigor jurídico e absoluta fidelidade à Constituição".
A AGU já havia respondido à PF em 4 de setembro, dizendo não ter "competência constitucional ou legal" para atuar nos aspectos de persecução penal pretendidos pela corporação e que a decisão foi baseada em critérios técnicos e jurídicos. A instituição informou ainda que Messias buscou interlocução com Mendonça e com o presidente do STF, Edson Fachin, para tentar construir uma solução institucional, e que não há precedente histórico na AGU de atuação do tipo pedido pela PF.
Fonte: Poder360




