
O mercado de trigo no Sul do Brasil está travado. Compradores e vendedores estão com preços distantes e os negócios andam muito devagar. No Rio Grande do Sul, os vendedores trabalham com pedidos próximos de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os compradores indicam valores de até R$ 1.320. As últimas negociações de trigo não segregado fecharam entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada. Os moinhos têm cobertura de estoques até aproximadamente o dia 20 de setembro, num ambiente de moagem reduzida e margens espremidas pela diferença entre o preço do trigo e das farinhas. O farelo de trigo é exceção: com oferta mais limitada, está valorizando e ajuda um pouco nas margens das indústrias.
A comercialização antecipada da nova safra gaúcha também não avança. Apenas cerca de 60 mil toneladas foram negociadas entre moinhos e exportadores. Houve indicação de compra a R$ 1.400 por tonelada FOB para dezembro, mas os vendedores não demonstraram interesse. De acordo com a Emater-RS, a área estimada com trigo no estado chega a 814,2 mil hectares, com produtividade média projetada em 2.701 quilos por hectare. O excesso de umidade, porém, aumenta a preocupação com doenças e com a qualidade dos grãos.
No Paraná, a redução da área plantada e o risco de chuvas em excesso elevam as preocupações com o volume e a qualidade da próxima produção. As indicações para a nova safra paranaense estão próximas de R$ 1.450 por tonelada em setembro e R$ 1.400 em novembro. Em Santa Catarina, os moinhos estão relativamente abastecidos e recorrem pontualmente ao trigo gaúcho. No mercado internacional, fatores como a paralisação de terminais no Mar Negro, a seca nos EUA e a estimativa de produção brasileira de 5,81 milhões de toneladas sustentam uma tendência de alta. Em Chicago, a região de 665 cents por bushel é apontada como referência para acompanhar o movimento. A recomendação da TF Agroeconômica é trabalhar com vendas parciais e escalonadas, evitando concentrar todo o volume de uma só vez.
Fonte: Portal Agroneg.




