
O Brasil está com a menor área plantada de trigo desde 2017, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea. Com menos trigo no campo, a disponibilidade interna do cereal cai e a necessidade de importar aumenta para a temporada 2026/27.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, projeta que o Brasil pode importar 7,5 milhões de toneladas de trigo entre outubro de 2026 e setembro de 2027. Se a estimativa se confirmar, o país vai ocupar a quarta posição entre os maiores importadores mundiais do cereal, ficando atrás apenas de Egito, Indonésia e Argélia.
No Sul do país, o mercado de trigo passa por um período de baixa movimentação, com poucos negócios fechados e diferença entre os preços pedidos e os ofertados. Levantamento da TF Agroeconômica mostra que essa dificuldade é comum nos três estados da região.
No Rio Grande do Sul, vendedores indicam cerca de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto compradores oferecem até R$ 1.320. As operações mais recentes envolveram trigo não segregado a R$ 1.300 por tonelada para embarque em agosto e R$ 1.320 para setembro. A cobertura dos moinhos gaúchos avançou apenas até cerca de 20 de setembro. Para a nova safra, as negociações estão praticamente paradas, com apenas cerca de 60 mil toneladas comercializadas antecipadamente.
Em Santa Catarina, os moinhos dependem principalmente de trigo vindo de outros estados. As referências para o trigo pão ficam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Em Canoinhas, a cotação subiu para R$ 72 por saca.
No Paraná, além da área menor, o mercado acompanha o risco de excesso de chuva durante as fases críticas da safra. O trigo da safra anterior é indicado a R$ 1.500 por tonelada CIF nos Campos Gerais. Para a produção nova, as referências variam: cerca de R$ 1.450 por tonelada em setembro e R$ 1.400 em novembro, mas os negócios seguem travados.
O câmbio, os preços internacionais, os custos logísticos e a disponibilidade dos fornecedores externos devem influenciar diretamente as cotações internas nos próximos meses.
Fonte: Portal Agroneg.




