
Jorge Luiz Roa, empresário bastante conhecido no Paraguai e dono da loja de produtos farmacêuticos Jack Center, fugiu do cerco policial na tríplice fronteira e está oficialmente foragido. Ele era um dos alvos centrais da Operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal nas primeiras horas de quarta-feira, dia 12 de agosto, e considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no Brasil.
Nas redes sociais, Jorge exibia uma vida de luxo, com fotos em festas e viagens para destinos paradisíacos. Mas as investigações apontam que ele atuava no topo de uma rede de tráfico internacional de substâncias ilícitas, como sócio clandestino de Elisangela Pereira Acosta. Ela mora em uma mansão em Foz do Iguaçu e é apontada como a principal fornecedora de anabolizantes e insumos para laboratórios ilegais espalhados pelo Brasil.
A dupla escondia as substâncias dentro de peças mecânicas de motos para burlar a fiscalização na fronteira. Depois, os produtos eram enviados para todos os estados via Correios, e-commerce e "freteiros". Para lavar o dinheiro, usavam doleiros no Paraguai e em Foz do Iguaçu, além de contas de laranjas ligadas a empresas de construção, lotéricas e consultorias.
Segundo o delegado Rodrigo Carbone, os produtos eram fabricados de forma artesanal, misturando matérias-primas importadas da Índia, China e Paraguai com ingredientes perigosos como óleo de cozinha comum, sem nenhum controle sanitário. Esse processo tem causado reações graves, infecções, embolias, tromboses e até mortes, como o caso de uma fisiculturista em Samambaia.
A operação expediu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, bloqueou R$ 32 milhões em ativos, lacrou mais de 20 estabelecimentos, apreendeu 10 veículos de luxo, incluindo Porsche, Audi e Mercedes, e tirou do ar mais de 30 sites ilegais. O esquema tinha conexões em oito estados, além do Distrito Federal. Elisangela e o sócio Roberto Carlos, o "Jiraiya", foram presos no Paraguai.
Fonte: Metropoles




