
O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial de Obesidade, defendeu em entrevista ao Metrópoles que o SUS precisa incluir medicamentos para tratar a obesidade. Ele participou do 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro.
De acordo com Halpern, 30% da população brasileira tem obesidade e 68% apresenta sobrepeso. A doença está associada a mais de 200 outras condições, como doenças cardiovasculares e câncer, além de reduzir a expectativa de vida.
Hoje, o único tratamento oferecido pelo governo é a cirurgia bariátrica, com acompanhamento teórico de dois anos e uso de vitaminas após o procedimento. Pacientes que não são candidatos à cirurgia ficam sem opção pública de tratamento.
Pedidos para incluir os remédios da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 no SUS já foram apresentados à Conitec — tanto pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) quanto por indústrias farmacêuticas — e foram negados repetidamente por causa do alto impacto orçamentário.
O médico reconhece o desafio financeiro, mas alerta para o chamado "custo da inação": estima-se que a obesidade gere gastos equivalentes a 3% do PIB do país, e investir no tratamento reduziria hospitalizações futuras. Sem acesso público, o cenário é desigual: quem tem renda acessa os tratamentos, enquanto populações mais vulneráveis ficam sem cuidado adequado ou expostas a produtos clandestinos. Entre as saídas debatidas estão parcerias público-privadas, acordos com farmacêuticas e o surgimento de versões orais, genéricas e sem patente dos medicamentos. Halpern também aponta a falta de capacitação dos profissionais de saúde como um gargalo, já que o tema não é amplamente ensinado nas universidades.
Fonte: Metropoles




