
Tomar água com uma pitada de sal em jejum virou tendência nas redes sociais, com promessas de mais energia, melhor hidratação e até melhora no desempenho físico. O hábito é seguido até por famosas como a cantora Ivete Sangalo. Mas a endocrinologista Jacy Maria Alves, em entrevista à coluna Claudia Meireles, foi direta: a prática não tem embasamento científico sólido e, pra maioria das pessoas, não traz benefício comprovado.
Segundo a médica, quem defende o hábito costuma atribuir à mistura benefícios como melhora da digestão, aumento de energia e desintoxicação do organismo. Jacy, no entanto, esclarece que a maioria das pessoas já consegue os minerais necessários por uma alimentação equilibrada, sem precisar adicionar sal à água.
Pra quem acredita que a mistura melhora os treinos ou ajuda a ganhar massa muscular, a resposta da especialista é clara: água com sal sozinha não oferece esse resultado. Os fatores que determinam a hipertrofia são o consumo adequado de calorias e proteínas, a progressão de cargas no treino, o descanso, a hidratação e o consumo de micronutrientes dentro das recomendações normais.
No campo dos números, a OMS recomenda menos de 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 gramas de sal de cozinha. A Organização Pan-Americana da Saúde aponta que o consumo diário nas Américas já varia entre 8,5 e 15 gramas por pessoa, acima do limite recomendado. Por isso, segundo Jacy, adicionar mais sódio a uma dieta que já é naturalmente rica nesse mineral não faz sentido.
Os riscos são variados: o excesso de sódio pode elevar a pressão arterial, sobrecarregar os rins, provocar desequilíbrio eletrolítico, afetar os níveis de potássio e magnésio, causar retenção de líquido, inchaço e aumento da sede. Pessoas com hipertensão, problemas renais, retenção de líquidos ou doenças cardiovasculares precisam ter atenção redobrada, segundo a médica.
Fonte: Metropoles




