
Jacivânia dos Santos Silva, de 53 anos, foi condenada a 23 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da filha Letícia Santos Silva, de 26 anos. A decisão foi do Tribunal do Júri de Brasília, proferida na quinta-feira, dia 27 de agosto.
Segundo a sentença, Jacivânia misturou medicamentos de uso controlado à bebida da filha e, depois que Letícia adormeceu, a estrangulou com um cabo de computador. O crime aconteceu na noite de 28 de maio de 2023, no apartamento da família, na Asa Norte, em Brasília. O filho de Letícia, de apenas 4 anos, estava no imóvel no momento do assassinato.
O juiz destacou, na sentença, uma frase atribuída à acusada: "Não poderia ter perdido a oportunidade." A declaração foi usada para demonstrar o que o magistrado chamou de "reprovabilidade intensa" e ausência de remorso, contribuindo para fixar a pena acima do mínimo. A sentença também apontou que Letícia tinha transtorno bipolar, estava em surto psicótico e, portanto, se encontrava em situação de vulnerabilidade mental no momento do crime.
Os jurados reconheceram o uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que ela foi dopada e atacada enquanto dormia. A qualificadora de feminicídio, porém, foi rejeitada. O juiz também considerou graves as consequências do crime para o filho pequeno de Letícia, afirmando que o menino poderá sofrer consequências emocionais extensas e duradouras.
Após o crime, Jacivânia teria participado de um plano para escapar das autoridades, inclusive comparecendo ao velório da própria filha para manter uma aparência de normalidade. Ela chegou a ser presa, foi solta em abril de 2024, teve a prisão decretada novamente e ficou foragida por cerca de um mês, até ser localizada em Santa Bárbara de Goiás, em 7 de julho de 2024. Com a condenação, ela não poderá recorrer em liberdade.
Wesley Rodrigues Vaz, de 48 anos, foi condenado no mesmo julgamento a dois meses de detenção, em regime aberto, por favorecimento pessoal. Segundo o processo, ele teria ajudado a simular um suicídio, participado de um falso arrombamento na porta do quarto e ajudado Jacivânia a se esconder. Os jurados o absolveram da acusação de fraude processual, condenando-o apenas por favorecimento pessoal. Como respondeu ao processo em liberdade, Wesley poderá recorrer solto.
Fonte: Metropoles




