
Durante sabatina na TV Globo, a jornalista Renata Vasconcellos questionou o presidente Lula sobre a trajetória das contas públicas do Brasil. Ela destacou que a dívida pública ultrapassou R$ 10 trilhões no seu governo, disparou 10 pontos percentuais e chegou a 82% do PIB, e que essa trajetória pressiona os juros, encarece o crédito e pesa no bolso das famílias.
Lula respondeu com tom de desdém, criticou a forma da pergunta e disse que esperava que uma jornalista da "qualidade" e "competência" de Renata "pudesse começar a pergunta falando diferente". Sugeriu que a jornalista deveria ter perguntado se ele foi o único presidente da história do Brasil a registrar superavit primário durante 8 anos. Em seguida, comparou o país com Estados Unidos, Japão e Itália e afirmou: "A mim não preocupa a dívida pública."
O que o presidente não explicou é que o Japão, citado por ele, tem dívida de 220% do PIB, mas desembolsa apenas 2,5% do PIB com juros. O Brasil gastou 8,8% do PIB com juros em 2024, o maior percentual do G20, segundo dados do FSB compilados pelo Poder360. Pela metodologia do FSB, a dívida bruta do Brasil é de 88% do PIB, a 8ª maior do G20, acima dos 81,9% divulgados pelo Banco Central.
O economista e ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, aponta que o Brasil apresenta a pior trajetória de dívida pública entre as 10 maiores economias emergentes e reúne "a combinação mais preocupante de elevado endividamento, alto custo de financiamento e despesa com juros" do grupo. Projeções da IFI indicam que, sem mudanças estruturais, a dívida pode chegar a 115% do PIB em 2036. Para estabilizar esse número, seria necessário um superavit primário de 2,1% do PIB, algo que, no cenário mais otimista, só seria alcançado depois de 2029.
Fonte: Poder360




