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Notícias/POLÍTICA16/08/2026· KF News

Lula levanta chapéu e Flávio beija a esposa no primeiro ato da campanha eleitoral

O primeiro dia oficial da campanha eleitoral, neste domingo, foi marcado por estratégias claras de Lula e Flávio Bolsonaro para enfrentar as principais críticas às suas candidaturas.

Lula abriu seu discurso levantando o chapéu-panamá que usa em público desde abril, quando recebeu o diagnóstico de câncer de pele e passou a fazer radioterapia. O gesto foi direto: mostrar ao eleitor como está sua recuperação. Provar que tem saúde para aguentar mais um mandato é uma preocupação constante da campanha petista, especialmente com o presidente tendo 80 anos.

A primeira-dama Janja da Silva também teve sua parte no roteiro. Em discurso preparado pelos marqueteiros, ela citou Marisa Letícia várias vezes e atribuiu à primeira mulher de Lula parte do sucesso do marido. Isso é novidade: segundo a matéria, Janja não costuma pronunciar o nome de Marisa em entrevistas. Em julho, ela chegou a dizer que o Brasil "nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente", o que gerou descontentamento entre petistas. Aliados do PT afirmam ainda que Janja mandou retirar lembranças de Marisa do campo de visão de Lula e teve atrito com o fotógrafo pessoal do presidente, que era considerado um filho por Marisa Letícia.

Do lado de Flávio Bolsonaro, o ato de campanha no Rio também foi usado para responder a pontos sensíveis. Ele ficou o evento inteiro com a esposa Fernanda ao lado, abraçando-a e beijando-a, encerrando o discurso com um beijo de língua. Fernanda entrou na campanha para melhorar a imagem do marido com as mulheres, após Michelle Bolsonaro acusá-lo publicamente de menosprezá-la.

Flávio ainda tentou explicar seu isolamento político com a frase "está todo mundo contra mim", sinalizando que críticas vindas da imprensa ou de adversários seriam perseguição. Sem apoio de nenhum partido, reforçou a bandeira da liberdade de expressão, aproveitando o momento em que Janja defende o bloqueio do Discord no Brasil e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, mandou apreender o celular de um jornalista para identificar sua fonte. Flávio também afirmou que "todo mundo vê que Bolsonaro não foi obstáculo para a democracia", mesmo com o pai preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.

O tema mais delicado foi o vice Alfredo Gaspar, apresentado por Flávio como "a maior vítima de fake news do Brasil". O Supremo autorizou investigação preliminar sobre acusação de que Gaspar estuprou uma menina de 13 anos. Flávio disse que escolheu o vice por ele ser nordestino e por ter investigado o esquema de desvio do INSS, e tentou associar a denúncia ao fato de Gaspar ter mandado investigar o Lulinha — filho de Lula — por negócios com o principal operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados. A acusação de estupro foi apresentada pelo senador petista Lindbergh Faria.

Fonte: Metropoles