
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por telefone nesta sexta-feira (21/8). A ligação durou cerca de 1h20 e teve como um dos temas centrais a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na conversa, Lula deixou claro que o Brasil não precisa dessa classificação internacional para combater as facções que atuam no país. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o presidente reconheceu que os grupos criminosos "exercem terror cotidiano" sobre as populações mais vulneráveis, mas defendeu que o enfrentamento deve ocorrer pelos instrumentos do próprio Estado brasileiro.
Lula apresentou a Trump uma série de medidas adotadas pelo governo. Entre elas, a estratégia de asfixia financeira do crime organizado, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões em recursos ligados à criminalidade. O presidente também citou os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, a Lei Antifacção, que ampara a apreensão de bens e passaportes, e uma proposta de emenda à Constituição para ampliar o papel do governo federal na segurança pública em parceria com os estados.
Lula ainda destacou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne agentes de países da região amazônica. Vale lembrar que a classificação feita pelos Estados Unidos produz efeitos dentro da legislação norte-americana, como sanções financeiras, mas não transforma automaticamente as facções em organizações terroristas perante a lei brasileira. O Departamento de Estado dos EUA já havia esclarecido ao Metrópoles que a designação também não significa autorização automática para operações militares americanas no Brasil.
Trump respondeu de forma positiva à proposta de cooperação e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade às conversas sobre o tema.
Fonte: Metropoles




