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Notícias/NEWS14/08/2026· KF News

Líder do PCC na Baixada Santista é preso em operação que mirou sete chefes da facção

William Nascimento Boaventura, conhecido como "Bel" ou "Bolacha", foi preso na quarta-feira, dia 12 de agosto, durante a Operação Patrocínio Fiel, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo. A operação tinha como alvo sete lideranças do PCC envolvidas no sequestro, tortura e ameaça a um advogado da Baixada Santista. A Justiça decretou a prisão de todos os investigados e determinou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em endereços no Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e também em Florianópolis, em Santa Catarina.

Bel é apontado como o sucessor direto de Fernando Gonçalves dos Santos, o "Azul" ou "Colorido", preso desde abril de 2022 no sistema penitenciário federal. Colorido era o líder máximo do tráfico internacional de drogas na Baixada Santista e controlava o escoamento de entorpecentes pelo Porto de Santos. Foi ele quem apadrinhou Bel dentro da facção, quando o rapaz ainda morava no bairro do Bitaru, em São Vicente, onde ganhou a alcunha de "Bel do Bitaru".

Com a transferência de toda a cúpula do PCC para o sistema penitenciário federal, em fevereiro de 2019, Bel foi ganhando espaço e virou o homem de confiança de Colorido nas ruas. Ele passou a gerenciar o tráfico na Baixada Santista, coordenou a reabertura de biqueiras em locais estratégicos como a favela México 70, em São Vicente, e articulou a compra de grandes carregamentos de pasta-base de cocaína vindos de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, movimentando mais de R$ 200 mil em curtos períodos.

Para lavar o dinheiro, Bel usava as contas bancárias da advogada Janaína Maria Rodrigues Rosa, que também repassava ordens de Colorido de dentro da prisão para o mundo de fora — numa estrutura chamada de Sintonia dos Gravatas. Dentro do organograma do PCC, Bel chegou à Sintonia dos 14, cargo estratégico logo abaixo da cúpula máxima, respondendo diretamente a líderes fundadores como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A investigação avançou decisivamente quando o Gaeco acessou os dados em nuvem da advogada Janaína, que revelaram a contabilidade detalhada do tráfico e confirmaram a promoção de Bel dentro da facção.

Fonte: Metropoles