
A Justiça do Reino Unido recusou seguir uma decisão do ministro do STF Dias Toffoli e manteve as provas da Lava Jato em um processo que trata do confisco de 7,3 milhões de libras — cerca de R$ 51 milhões — de contas bancárias do ex-engenheiro da Petrobras Mário Ildeu de Miranda. O confisco foi determinado em 2023, com Miranda acusado de lavagem de dinheiro. As irregularidades que pesam contra ele foram reveladas durante a Lava Jato.
Em março de 2026, Toffoli anulou uma decisão da Justiça Federal de Curitiba que autorizava o envio de uma cópia integral do processo de Miranda ao SFO — o Serious Fraud Office, órgão independente do Reino Unido que investiga fraudes, suborno e corrupção. O ministro entendeu que Curitiba não tinha competência para autorizar a transferência do material. A decisão, porém, não foi considerada obrigatória pela Justiça britânica.
Em despacho de 20 de maio, o juiz Mark Weekes, do Tribunal da Coroa Britânica em Southwark, afirmou que o SFO poderia continuar usando as provas fornecidas pelo Brasil. Weekes disse que o material foi compartilhado "de boa-fé" e de acordo com os tratados internacionais de assistência jurídica mútua. Ele classificou como "no mínimo, altamente incomum" a situação em que uma autoridade judiciária de outro país tenta revogar, depois do fato, a base jurídica de provas já enviadas ao órgão britânico. O despacho ainda diz que eventuais consequências diplomáticas deveriam ser resolvidas pelos governos dos dois países, não pelos tribunais.
O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo-PR, comentou o episódio nesta terça-feira (18.ago.2026) em vídeo publicado no YouTube. Ele chamou a situação de humilhação para Toffoli e disse que os juízes britânicos ficaram "perplexos" com a decisão do ministro. Deltan integrou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, saiu do Ministério Público Federal em 2022 e foi eleito deputado federal pelo Podemos. Em 2023, o TSE cassou seu registro de candidatura por inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa.
Toffoli é autor de uma série de decisões que anularam provas e condenações da Lava Jato, entre elas a anulação de todos os atos contra Antonio Palocci, contra Alberto Youssef, contra Marcelo Odebrecht e contra outros réus da operação.
Fonte: Poder360




