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Notícias/NEWS18/08/2026· KF News

Irã perde parcialmente o controle do Estreito de Ormuz enquanto navios adotam rota alternativa autorizada pela ONU

O Estreito de Ormuz virou o ponto central do conflito entre Irã e Estados Unidos — e as evidências mais recentes mostram que os americanos estão ganhando terreno. De acordo com a Kpler, empresa que monitora embarcações por transponders e dados de satélite, mais de 80% dos navios que passaram pelo estreito nas últimas duas semanas usaram a rota de Omã, um canal autorizado pela ONU mas que o Irã rejeita fortemente.

O cenário representa uma grande virada em relação a um mês atrás, quando a Kpler praticamente não registrou nenhum tráfego marítimo por essa rota. A mudança aconteceu porque a maioria das embarcações passou a ignorar as exigências iranianas e cruzar o local contando com a proteção da Marinha dos Estados Unidos. O Irã chegou a atacar dezenas de navios que tentavam passar pela costa norte de Omã.

Com o avanço americano, o Irã perdeu a capacidade de cobrar pedágio dos navios — algo que vinha fazendo antes. Mesmo com o fim de um acordo provisório entre os dois países, o país não conseguiu retomar essa cobrança, segundo a Kpler. "A exigência do Irã de arrecadar taxas é algo que a maioria dos atores do Oriente Médio não quer fazer e não tem feito", afirmou Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners. Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos usaram petroleiros gigantes para retirar petróleo do Golfo Pérsico e transferi-lo para outros navios fora da zona de perigo, no Golfo de Omã. Para escapar dos ataques iranianos, muitas embarcações desligaram seus transponders por semanas, dificultando o rastreamento.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, informou que o volume transportado pelo estreito e por rotas alternativas chegou a cerca de 15 milhões de barris por dia em uma semana — bem mais próximo da média pré-guerra, que era de 20 milhões de barris. Trump declarou que os EUA têm "controle total" do estreito, mas especialistas ouvidos pela CNN contestam isso. Os ataques iranianos continuam e o fluxo de petróleo ainda está abaixo dos níveis anteriores à guerra. Omã e Irã ainda negociam a livre navegação no local, sem a presença americana, para desgosto de Trump. "Eu analisaria todas as informações com cautela, mas é justo dizer que o Irã perdeu parcialmente o controle do estreito", disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.

Fonte: CNN